Agroceres celebra 80 anos

Empresa projeta futuro com inovação em nutrição animal e genética suína.

Por Caroline Mendes, de Campinas (SP)

A Agroceres completou, em setembro, 80 anos de trajetória marcada pela inovação e pelo protagonismo no agronegócio brasileiro. Fundada em 1945 por Antônio Secundino de São José, em Patos de Minas (MG), a empresa foi pioneira na introdução do milho híbrido no Brasil, tecnologia que transformou a agricultura nacional e impulsionou a produtividade do setor.

Durante a celebração, executivos relembraram conquistas históricas e destacaram os rumos das unidades de negócio que hoje compõem o grupo, com ênfase na Agroceres Multimix, dedicada à nutrição animal, e na Agroceres PIC, especializada em genética suína.

Multimix aposta em ciência para transformar a nutrição animal

O diretor executivo da Agroceres Multimix, Ricardo Ribeiral, ressaltou que a unidade se consolidou como uma das maiores empresas nacionais do setor, com foco em cinco espécies estratégicas: suínos, aves de corte, aves de postura, bovinos de corte e bovinos de leite.

“Contamos com dez fábricas distribuídas pelo Brasil, incluindo Rio Claro, Campinas, Aparecida de Goiânia, Patos de Minas, Patrocínio, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e, em breve, Quatro Pontes, no Paraná. Esta última é uma unidade moderna, projetada para atender especialmente os mercados de aves e suínos, com início de operações previsto para o final deste ano ou início do próximo”, explicou.

Ribeiral destacou ainda os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, tanto em infraestrutura quanto em capacitação de pessoas. “Nosso laboratório é um dos mais modernos do país, capaz de aprofundar o conhecimento sobre cada ingrediente. Criamos também um laboratório de desenvolvimento dedicado à criação de métodos analíticos avançados, permitindo monitorar produtos com nanopartículas e aditivos de alta complexidade”, afirmou.

Entre os resultados citados, está o Flavolac, aditivo testado em universidades brasileiras e norte-americanas, que visa aumentar a produção de leite das porcas, gerar leitões mais uniformes e saudáveis e reduzir significativamente a mortalidade. Os resultados foram publicados no Journal of Animal Science, reforçando o compromisso da empresa em transformar conhecimento científico em soluções para o campo.

Outro exemplo é o Flavolac RP, imunomodulador voltado a melhorar a vascularização e aumentar o número de nascidos vivos. “A genética evolui rapidamente, e nós, como empresa de nutrição, precisamos acompanhar esse ritmo. Nos últimos cinco anos, investimos mais de R$ 50 milhões em pesquisa, realizando mais de 100 experimentos com suínos, aves e bovinos”, destacou.

Além da tecnologia, Ribeiral reforçou a importância do capital humano: “Temos um corpo técnico altamente capacitado, preparado para entender a realidade de cada cliente e propor soluções específicas. É isso que garante nossa parceria de longo prazo com os produtores”.

PIC eleva o padrão da genética suína no Brasil

O diretor da Agroceres PIC, Alexandre Rosa, destacou que a divisão promoveu uma verdadeira revolução na suinocultura nacional. “Estamos celebrando 48 anos da Agroceres PIC, coincidentes com os 80 anos do grupo. Em 1978, trouxemos doze animais bisavós da França e implantamos a primeira granja núcleo de melhoramento genético de suínos do país, iniciando uma nova era”, afirmou.

Rosa lembrou que a PIC introduziu o conceito de linhagens genéticas, substituindo o foco em raças tradicionais. “O que importa não é a cor da pelagem ou o formato da orelha, mas sim o resultado econômico que o animal entrega ao produtor. Essa mudança de paradigma nos anos 1980 transformou a atividade suinícola no Brasil”, destacou.

Desde então, a Agroceres PIC implementou tecnologias que moldaram o setor, como conceitos de biossegurança, softwares de gestão e sistemas de multiplicadores genéticos. Mais recentemente, inaugurou a Granja Gênesis, no Paraná, considerada a maior granja elite PIC do mundo.

“São quase 600 hectares, dos quais 35% preservam mata nativa. É a granja mais tecnificada da nossa rede global, equipada com brincos de código de barras para rastreamento animal e sistemas sustentáveis de manejo de dejetos. A Gênesis já apresenta resultados expressivos em produtividade e sustentabilidade”, afirmou.

A inovação também se dá por meio de ferramentas digitais: “Estamos utilizando câmeras para seleção fenotípica com 98% de precisão, detectando defeitos físicos e avaliando peso corporal sem balança, reduzindo erros e aumentando a confiabilidade. Em breve, usaremos câmeras nos galpões para monitorar comportamento animal e identificar precocemente sinais de enfermidades”, explicou.

Os números reforçam a liderança brasileira: “Hoje, nossos clientes atingem médias de 34 a 35 leitões desmamados por fêmea, com peso acima de 7 quilos. Comparados a benchmarks internacionais, o Brasil já lidera em produtividade média, o que é motivo de orgulho para todos nós”, celebrou.

Rosa destacou ainda o papel da genética líquida, com 11 centrais no Brasil e na Argentina, atendendo cerca de 1,3 milhão de fêmeas, com capacidade de produção de quase 10 milhões de doses de sêmen por ano. “Esse é um diferencial que garante máxima potência genética, biossegurança e capilaridade logística”, completou.

Para ele, o sucesso depende da parceria de longo prazo com os clientes: “Mais da metade da nossa equipe é dedicada ao suporte técnico. Vender genética é apenas o primeiro passo; nosso compromisso é acompanhar o produtor diariamente para garantir o máximo potencial de cada animal”.

Tradição e futuro

A celebração dos 80 anos da Agroceres destacou o reconhecimento ao legado histórico e o compromisso com o futuro. Tanto na nutrição animal quanto na genética suína, a empresa reforçou o investimento em ciência, tecnologia e suporte ao produtor.

“Se chegamos até aqui, foi graças à confiança de nossos clientes e parceiros. Com eles, construiremos os próximos capítulos, sempre transformando inovação em resultados concretos no campo”, concluíram os executivos.

 

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